Aqua Multitoque
Tendências e análises

Como o touchscreen transformou o mundo dos games

Com os dispositivos móveis e com o as telas interativas, surgiu uma nova forma de jogar.

Como o touchscreen transformou o mundo dos gamesagosto 28, 2014

Diretor de marketing da Aqua

Games touch

A tecnologia touchscreen vem provocando revoluções em nossas interações com gadgets e também no varejo. Mas em um determinado ramo do entretenimento, telas sensíveis ao toque trouxeram uma renovação especialmente significativa: o mundo dos Games.

Com os dispositivos móveis somados ao touchscreen, mais especificamente o multitoque, surgiu uma nova forma de jogar. Novos perfis de jogadores também apareceram, e ao redor de tudo isso, o mercado de jogos eletrônicos foi completamente transformado, dando novas possibilidades a essa forma de diversão tão adorada em todo o mundo.

Dos controles às telas

Os videogames passam por uma acentuada curva evolutiva desde os seus primórdios, nos quais o controle físico, dotado de manche e um botão apenas, foram se aperfeiçoando e adquirindo novas características que melhorassem a forma como as pessoas jogavam.

Se voltarmos um pouco no tempo, no final da década de 70, um dos consoles mais populares da história estabeleceu um padrão de joystick (o famoso controle ou “manete), no qual uma alavanca e um botão davam conta de todas as necessidades de jogabilidade da época. Na geração seguinte, o Nintendo 8 bits e o seu concorrente da sega, o Mega Drive, trocaram o manche por um botão direcional e agora contavam com dois botões com funções diferentes. Hoje, os consoles mais populares como o PlayStation 4 e o Xbox One trazem 3 direcionais (desses 2 analógicos) e mais 8 botões de jogo, além de start e select e variações, como o botão X do Xbox e o touchpad no controle do PS4.

Evolução dos joysticks

A revolução que as touchscreens trouxe vai no caminho inverso dessa multiplicação de botões dos controles físicos. Na década de 90, os chamados PDAs (personal digital assistants) tinham o foco apenas no mercado de negócios, com aplicativos voltados a utilidades profissionais. Quando o Apple iPhone surgiu em 2007, popularizando de vez uma tela touch muito eficiente e confortável, os jogos otimizados para essa plataforma se popularizaram, e depois com o advento dos celulares Android, os smartphones touchscreen se multiplicaram incontrolavelmente, assim como o número de jogos disponíveis para esse tipo de dispositivo.

Mais recentemente, a tecnologia de reconhecimento de gestos invadiu o mundo dos games. Nintendo Wii, Xbox 360 Kinect e PlayStation Move acrescentaram a possibilidade de interpretar os movimentos dos jogadores. Agora, em vez das mãos, é possível usar o corpo inteiro. Certamente é uma tecnologia muito promissora e nós da Aqua já nos divertimos muito com alguns desses jogos. Porém, assim como outros jogadores mundo afora, também já ficamos frustrados com a dificuldade em se jogar nesse tipo de plataforma. Ainda aguardamos a verdadeira evolução desse revolução.

Conforto e praticidade na jogatina

A possibilidade de eliminar os botões e se jogar interagindo diretamente com elementos da tela demandou uma adaptação das mecânicas de jogos. Além do toque, que substituiu o clique dos controles, teclados e mouses, temos gestos como arrastar, varrer e combinação de mais de um dedo sobre a superfície da tela. Isso possibilitou jogos extremamente fáceis de se controlar, por pessoas de literalmente qualquer faixa etária e de pouca intimidade com controles complexos. Fruit Ninja é um bom exemplos de como a jogabilidade ficou mais simples e intuitiva com a tecnologia touchscreen.

Se os smartphones são os grandes popularizadores dos games no touchscreen, os tablets acabaram por conquistar um espaço adicional, literalmente. A tela é maior e tem mais espaço para os toques. Em ambos tipos de dispositivo, o acelerômetro e o sensor de movimentos complementam a diversão, ampliando ainda mais as possibilidades no que se refere a diversão e mecânica dos jogos.

E não pense que as telas touch se prezam apenas para jogos mais “leves” e simples, como os jogos casuais. Um dos maiores sucessos dos games no iOS é totalmente controlado por gestos. Trata-se de Infinity Blade, um épico que já tem 3 episódios e leva até o poderoso hardware do iPad ao limite:

As telas também transformaram os jogos com mecânicas baseadas em jogos de tabuleiro. Quando agilidade não é uma questão importante, como na seleção e movimentação de peças no cenário, as telas são muito mais intuitivas que o tradicional ponteiro do mouse. Elas também permitem uma naturalidade muito maior ao manipular estruturas no espaço 3D, já que podem contar com gentos como o deslizar de dois dedos e também a “pinça” para aumentar e diminuir o zoom. Veja como pode ser natural manipular objetos no espaço tridimensional através das telas de multitoque:

O mercado se rendeu aos games para touchscreens

Hoje em dia, o mercado de jogos eletrônicos como um todo já ultrapassou o lucro gerado pelos filmes de Hollywood, e continua crescendo. Grande parte dessa receita vem de jogos voltados para dispositivos móveis, predominantemente aqueles dotados de touchscreen. Apesar de haver tecnologias bem avançadas em relação a controle de jogos através de gestos e comandos de voz, as telas sensíveis ao toque possuem as vantagens da praticidade e facilidade de uso, sendo mais largamente adotadas entre todos os tipos de jogadores. E como há tablets e smartphones cada vez maiores e com mais poder de processamento, a tendência é de continuarem evoluindo os games voltados a gadgets touchscreen.

Para o mercado, pesa também o tamanho do mercado de games para dispositivos móveis. Os jogos eletrônicos saíram da sala de televisão e foram para os bolsos de milhões de pessoas. Agora, qualquer lugar se torna um fliperama. E do ponto de vista comercial, realmente é um fliperama: os jogadores podem comprar jogos, créditos e upgrades com muita facilidade. No ranking de aplicativos que mais arrecadam dinheiro na Apple Store, quase todos são jogos, como Clash of Clans, Candy Crush e Farm Heroes.

E como ignorar o sucesso de Angry Birds, um jogo de iPhone que se espalhou por outras plataformas e virou uma verdadeira fábrica de negócios? O jogo original, em que pássaros usam estilingues para atacar porcos, se multiplicou para mais de uma dúzia de games, incluindo uma versão com tema Star Wars. Há até uma versão espacial, com direito a parceria com a NASA e lançamento com astronautas como garotos-propaganda.

Angry Birds foi além dos jogos. Hoje há centenas de itens de merchandising, livros, desenhos animados e até parques temáticos. Desde os tempos de Mario Bros e do Sonic não se via um fenômeno cultural e econômico como esse. Mas ele não é um caso único. Com o perdão do trocadilho, os jogos touchscreen tocam diariamente a vida de milhões de pessoas, dentro e fora das telas.

Com a população em geral se tornando cada vez mais habituada com a interação via toque, estas interfaces tendem também a se espalhar para dispositivos que não contavam com elas. Os notebooks, por exemplo, já aderiram a onda. Existe até um tipo novo de dispositivo, chamado convertible, que pode alternar entre notebook e tablet de acordo com a necessidade e possui tanto o multitoque quanto o teclado. Da mistura entre os dois mundos virão também inovações em interface que ainda nem imaginamos, tanto para os jogos quanto para as aplicações do dia a dia!

Próxima fase desse jogo

O mercado de games sempre foi movido pela inovação. Aliás, os consoles e PCs para gamers são sempre os mais modernos no mundo da informática. Talvez perdendo apenas para os super PCs de bancos, governos e cientistas.

Uma consequência da paixão pelos games interativos é que a tecnologia conquistou um local de destaque nos corações dos adolescentes. Smartphones são o grande objeto de desejo.

Não dá para escapar das plataformas touchscreen. Um dos maiores fenômenos dos últimos anos é o Pokemon Go. A Nintendo, após anos de indefinição, se rendeu ao grande mercado das telas interativas.

Depois, trouxe também o clássico Super Mario para o iPhone e iPad. Super Mario Run se tornou um sucesso imediato também.

O futuro não pode ser previsto, mas pode ser construído. Várias empresas tentaram criar caminhos próprios para direcionar a evolução da tecnologia. A ida da Nintendo para os smartphones, deixando a exclusividade de sua própria plataforma de hardware, é um sinal de novos tempos.

Há alguns anos, os jogos vinham em fitas, disquetes, CDs e DVDs. Hoje chegam pela internet, tanto nos celulares quando nos consoles. O futuro vem em ondas. Vence esse jogo quem sabe surfar nas novidades.