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Tecnologia para transformar: computação pública

Saiba mais sobre a Computação Pública, experiência controlada de acesso à tecnologia para promover a inclusão social e acesso a serviços e informações

Tecnologia para transformar: computação públicanovembro 18, 2014

Diretor de marketing da Aqua

A Computação Pública é um conceito que pode ter uma definição imprecisa segundo a compreensão geral, que tende a considerar o uso de gadgets ou de computadores portáteis em um ambiente público. Na verdade, a Computação Pública consiste em uma experiência controlada de acesso à tecnologia para promover a inclusão social e acesso a serviços e informações por todos. Imagine a grande revolução que é oferecer serviços digitais a todos, mesmos àqueles que não têm um smartphone ou computador com internet.

A Computação Pública permite que governos, empresas e instituições consigam criar uma conexão customizada com o seu público, em um ambiente livre de distrações, que podem servir para vender mais, atender melhor e fidelizar seus clientes.

Exemplos ao redor do mundo, de Nova Iorque a Paris

Nova Iorque deu início ao LinkNYC, um projeto ambicioso que vai substituir os telefones públicos por totens com Wi-Fi gratuita. Além da internet sem fio, o equipamento vai fornecer ligações locais gratuitas, estação para carregar telefones e uma tela touchscreen para acessar serviços da prefeitura, direções etc.

LynkNYC - computação pública em Nova Iorque

Quem paga a conta? Nesse caso, é a exploração de publicidade. A expectativa é que não seja usado nenhum dinheiro dos contribuintes, apenas receita da venda de espaço para mídia exterior. A estimativa é gerar mais de 500 milhões de dólares nos primeiros 12 anos. E esse dinheiro certamente será usado para dar sustentabilidade ao projeto e garantir sua expansão e qualidade.

Outro exemplo interessante vem de Paris. O renomado designer francês Mathieu Lehanneur idealizou a Escale Numérique, um projeto para a Prefeitura de Paris e JCDecaux, com o objetivo de criar mobiliário urbano inteligente, em plena Champs-Elysées. “Como as fontes Wallace, que desde o fim do século 19 oferecem aos parisienses água potável gratuita que estava sob seus pés, a Escale Numérique oferece a todos o benefício, como um serviço público verdadeiro, de uma conexão Wi-Fi de alta velocidade ao elevar a partir do solo”, afirma Mathieu. A tradicional Paris agora é uma cidade mais conectada e digital.

Mathieu - computação pública em Paris

Como no projeto de Nova Iorque, as telas de Paris oferecem serviços, guias turísticos, notícias e realidade aumentada para turistas que não estejam online. Mais uma vez, são usadas telas touch como interface para o mundo digital. Gratuito, simples, prático, eficiente.

Computação pública x acesso privado

Interessante notar que a Computação Pública não se dá apenas a título de prestação de serviços. Ela se opõe, em muitos aspectos, ao acesso privado à informação, que geralmente ocorrem em ambientes pouco protegidos e muito flexíveis, sujeitos a todo tipo de ruído e distrações que podem frustrar os objetivos de prestadores de serviços e anunciantes.

No acesso privado, as pessoas são donas de seus próprios gadgets e controlam toda a utilização do hardware/ software da forma que bem entendem. Usam o browser de sua preferência, fazem buscas nos locais onde estão mais habituados e, de forma geral, não têm muita metodologia para pesquisas ou filtros de conteúdo. Um computador pessoal é terreno de seu proprietário, e ali é ele quem manda, em breve análise.

Aí está um dos diferenciais da Computação Pública. Imagine que você quer fazer testes de usabilidade com pessoas escolhidas aleatoriamente na multidão. Se o escolhido faz o teste em seu próprio computador, é possível que sua atenção seja desviada pelos inúmeros programas de chat e notificações de redes sociais que já estão ali há muito tempo; o browser está cheio de barras de “utilidades” e pode não estar devidamente atualizado, entre vários outros aspectos. Se o teste é de usabilidade, você quer entender a relação do usuário com a aplicação, e a forma com que ele lê as informações e interage com a interface gráfica. Claro que é importante considerar os ruídos e o ambiente que cada usuário tem para acessar sua página ou usar o seu programa, mas há testes específicos para isso, e é preciso foco nos objetivos de cada atividade.

Imagine o mesmo cenário para pesquisas de opinião. O que as pessoas acham de uma proposta do governo, ou de um filme, de um produto ou de uma empresa? Pesquisas de opinião em um cenário de Computação Pública podem apresentar resultados bem diferentes daqueles em um ambiente privado, onde há mais sigilo e se alcança um público potencialmente muito maior. A diferença é que nos terminais públicos se consegue uma resposta imediata, local, de todo tipo de pessoa, mesmo aquelas que normalmente são “offline”.

A Computação Pública como ferramenta de relacionamento com o público

Hoje em dia é trivial que as empresas busquem o suporte de mídias digitais para falar com seu público – e vender, é claro. As marcas gastam milhões todos os anos produzindo websites, aplicativos e outras soluções que realmente funcionam, basta observar que a utilização deste tipo de canal é cada vez mais massivo e tratado como fundamental há bastante tempo. Disponibilizar meios para o seu público se relacionar e saber mais a respeito de uma marca é uma grande maneira de iniciar este relacionamento. Mas há muito mais que pode ser feito neste sentido.

Quando uma empresa coloca um totem para acesso público a suas informações, produtos e serviços, ela está de certa forma se adiantando a uma demanda de comunicação que pode haver ali, para cada usuário. E aos olhos do público, isto é quase um contato proativo da empresa, que “procura” o seu cliente onde ele está, para oferecer ajuda que ele pode estar precisando.

As possibilidades são praticamente infinitas, mas em cada área de atuação existem utilidades diferentes para os terminais e dispositivos de Computação Pública. Desde lojas de departamento promovendo campanhas de vendas ou catálogos self-service digitalizados, até órgãos públicos oferecendo informações e serviços, há milhares de aplicações possíveis para estações de Computação pública.

Como essas soluções são planejadas e adaptadas especificamente para determinados objetivos, a liberdade de customização da experiência é enorme. Ou seja: possivelmente qualquer projeto pode ser executado neste tipo de equipamento. Além de tudo isso, quiosques de Computação Pública dispensam pessoal para manter o seu funcionamento. Todo o serviço é realizado pelo próprio usuário.

Concorrência e atenção

Uma das principais vantagens de se lançar mão da Computação Pública é a de obter a total atenção daquele consumidor enquanto ele usa a sua plataforma. Como é uma solução customizada para os seus objetivos, é um ambiente livre de interferências e, principalmente, da sua concorrência. É importante saber aproveitar este momento para ganhar o interesse genuíno do usuário, e fazer com que ele encontre mais facilmente aquilo que procura, e que consuma muito mais facilmente.

Um público que já percebeu esse potencial é o mercado publicitário. A mídia exterior digital (DOOH, ou Digital out-of-home) é um segmento em franca expansão, justamente por unir diversas qualidades: interatividade, presença em locais de grande fluxo de pessoas e conquista da atenção dos usuários.

O público e a computação pública

Diante da cultura informacional onipresente nos dias de hoje, é importante levar em consideração que o usuário tem um senso crítico muito apurado, e perceberá rapidamente se a solução que você oferece na verdade é apenas uma isca para fazê-lo comprar, comprar e comprar, sem oferecer o benefício que este usuário espera. Portanto, o quiosque ou o dispositivo de Computação Pública deve ter um objetivo claro de oferecer um valor agregado ao seu produto ou serviço, e precisa ser útil e agradável para o consumidor.

Serviços ao alcance de todos

Fizemos um artigo especial sobre uso de telas touch no setor público. Lá, há bons exemplos de inovação associada à democratização do acesso a serviços e informações pelo Governo.

A localização e orientação de pessoas em grandes espaços como shopping centers, campi de universidades e centros de convenções é uma grande utilidade para quiosques de Computação Pública, pela praticidade e elegância de uma solução em tela sensível ao toque, por exemplo.

Suporte a compras, como apresentação e interação do consumidor com catálogos digitais e possibilidade de customização da experiência pode trazer excelentes reflexos no relacionamento entre varejo e público alvo.

Em pontos turísticos, cinemas e teatros, museus e bibliotecas, o acesso a informação rápida e útil é essencial. Muitas vezes, para atividades como orientação e consulta de informações, não é necessário dispor de um profissional que poderia ser mais útil em outras tarefas, por exemplo. E o usuário se sente a vontade para pesquisar e encontrar o que precisa.

Cuidados com a Computação Pública

O maior desafio da Computação Pública é achar um ponto de equilíbrio entre liberdade e controle. Não consigo imaginar, por exemplo, terminais públicos com acesso irrestrito à internet. Não se trata de censura, mas de se pensar no bem comum e no bom senso. Um serviço público não deveria ser usado para trazer o mal para pessoas e grupos.

Se o usuário quer liberdade total, é possível oferecer internet via WIFI para que ele entre em sites e aplicativos de seu interesse, com total liberdade. Para os demais, o comum é ter aplicativos com funcionalidades e conteúdo controlado. Tudo é de acordo com as necessidades e características do público. Em uma escola, podemos oferecer terminais com informações sobre as aulas, jogos educacionais e serviços de reservas de livros. Em hoteis ou praias, teremos previsão do tempo, mapa da região e dicas para turistas.

Um ponto polêmico é sobre o controle de notícias. Se as principais notícias do País ou da cidade se referem a problemas urbanos (criminalidade, desemprego) ou a falhas do Governo (corrupção, inflação), os terminais devem repercutir essas informações? E o que dizer das preferências partidárias, ou de notícias que beneficiem um partido ou ideologia? Quando a Computação Pública é um serviço público, quem controla essa nova mídia? E se for um serviço oferecido por uma empresa privada, até onde vai sua liberdade editorial? São perguntas complexas, que nos fazem pensar na discussão sobre controle social da mídia, imprensa oficial e independência do jornalismo. De qualquer forma, ainda há muito para se discutir sobre esses tópicos.

Fato é que precisamos pensar em muitos aspectos além do controle do conteúdo. Há aspectos de privacidade, por exemplo, para se preservar a identidade dos usuários. Também temos que pensar em segurança de dados, principalmente se houver acesso e manipulação de dados pessoais e sigilosos. O fato de ser um acesso público não significa que todos possam saber como cada usuário se comporta.

Há várias características que são essenciais: acesso a informações e serviços corretos e sempre atualizados, gratuidade, ambiente seguro e controlado, alta qualidade, baixa complexidade. Nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países, já se fala que a Internet deve ser encarada com um serviço de utilidade pública, como saneamento. Os próximos anos serão muito interessantes para a disseminação da internet. Certamente a Computação Pública, como forma de acesso a informações, será fundamental para esse avanço.


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