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Uber, Petrobras e o valor das empresas de tecnologia

As maiores companhias do mundo são empresas de tecnologia. Entenda as tendências desse novo cenário, com startups que valem mais que sólidas companhias.

Uber, Petrobras e o valor das empresas de tecnologia janeiro 16, 2015

Diretor de marketing da Aqua

Responda rápido: qual a coisa mais preciosa do mundo?

Já houve um tempo em que as respostas mais corretas seriam ouro, diamantes, petróleo ou grandes extensões territoriais. Vivemos na época da inovação e das ideias, que se tornaram sinônimos de sucesso e poder, pois têm o incrível poder de se multiplicar e de ganhar muita força em pouco tempo. Uma prova disso é que as maiores empresas do mundo – Apple, Google e Microsoft – são de tecnologia. Quer outra prova? Essas empresas precisam se reinventar o tempo todo, de forma a se garantirem relevantes. Já se foi o tempo em que uma empresa era grande por causa de sua estabilidade.

Que o mundo de hoje está muito diferente do que era há alguns anos, não resta dúvida alguma. Mas o panorama econômico mudou tanto que algumas situações que eram impensáveis a pouco tempo atrás estão se tornando realidade diante dos olhos admirados de todos.

Se você conversar com qualquer pessoa com mais de 40 anos de idade, vai constatar que o sonho de todo homem era trabalhar em uma grande empresa como a Petrobras por toda a vida, fazer carreira e se aposentar por lá. E se você for esta pessoa com 40 ou mais, vai perceber que esse era mesmo o cenário ideal, e talvez até faça parte dos que conseguiram alcançar este objetivo.

Novo mundo das empresas de tecnologia

O mundo mudou, e agora vários aspectos deste sonho estão cada vez mais distantes da realidade das pessoas não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Para começar, a rotatividade nas empresas é tão frenética que é quase impensável alguém começar, desenvolver e terminar a vida profissional em uma empresa apenas. O mercado é muito mais competitivo, e esta competitividade se reflete inclusive na busca pelos melhores profissionais disponíveis, que diante de excelentes propostas acabam trocando de emprego e até mesmo criando seus próprios empreendimentos, em busca da independência financeira.

Por outro lado, as grandes empresas de outrora começam a encarar uma triste realidade diante de um mundo dinâmico e conectado. A Petrobras, citada como um exemplo de empresa sólida, que virtualmente jamais entraria em crise, se envolveu em problemas internos ao mesmo tempo em que o preço do petróleo caia no mercado internacional. Resultado? Queda vertiginosa no valor de seus papéis, e por consequência, perdas gigantes em seu colossal valor de mercado.

Empresas de tecnologia e a inversão de mercado

No começo de 2015, a Petrobras alcança um marco negativo em sua história. A empresa encerrou o pregão da bolsa valendo R$ 40 bilhões, apenas uma sombra dos R$ 116 bilhões que valia três meses antes.

Neste momento, a gigante (não mais tão gigante assim) verde e amarela já valia menos que o Uber, empresa norte-americana cujo aplicativo para smartphones promete revolucionar o transporte urbano – e já o faz em várias cidades ao redor do mundo. O Uber, fundado em 2009 e funcionando em mais de 250 cidades em 50 países ao redor do mundo, por outro lado, vem ganhando em valor e importância, principalmente se considerarmos o crescente foco na cultura do compartilhamento e o novo padrão de vida das pessoas.

Uma empresa que tem o seu negócio focado em uma forma de energia não renovável, como o petróleo, tem futuro incerto, já que a preocupação com a geração de energia limpa e renovável vem crescendo, junto com os investimentos e a tecnologia empregados para desenvolver soluções neste sentido. Incertezas afugentam os investidores, e o seu dinheiro. Em compensação, existe a ideia de que o Uber promove o uso mais responsável da energia, ao possibilitar o uso compartilhado de automóveis nas grandes cidades. Temos aí a balança pendendo para o lado que faz mais lógica nos dias de hoje, um exemplo de que gigantes também caem um dia.

O Uber não é o único caso de empresa de tecnologia hipervalorizada hoje em dia. Na verdade, a maior delas é a Apple, companhia idolatrada pelos seus produtos de alta qualidade e também pela figura mítica do seu finado CEO, Steve Jobs. A empresa da maçã vale hoje cerca de U$ 124 bilhões, algo em torno de R$ 328 bilhões. Mas a Apple tem diversos trunfos, como excelentes produtos, excelente pós-venda e credibilidade extremamente sólida. Outra grande conhecida do público, a Microsoft cresceu incríveis 11% em 2014, alcançando U$ 63 bilhões em valor de mercado. E o Google está avaliado em “apenas” U$ 56 bilhões, sendo que lucrou U$ 16 bilhões e cresceu 19% em 2014.

E para não parecer que tecnologia é só boa notícia, vale lembrar que o próprio Uber passa por dificuldades. A empresa já teve suas operações suspensas em algumas cidades por questões legais e enfrentou problemas com concorrentes e com a imprensa.

Uber no mundo

Tecnologia, inovação e conectividade dão o tom dos novos tempos

Quando se fala de grandes volumes (de qualquer coisa) e muito dinheiro envolvido, não se pode deixar os chineses de lado. Já ouviu falar do Alibaba? Pois esta mega empresa chinesa do e-commerce é tão bem sucedida que já ultrapassou grandes marcas de tecnologia como IBM, Intel e até o Facebook e a Amazon. No caso do Alibaba, não foi necessário criar um produto bombástico como o iPhone ou processadores super rápidos, mas é inovadora por tornar acessíveis todo tipo de produto, a preços baixos, para o mundo inteiro. E é claro, conta com o trunfo de estar no berço da maior economia do mundo de hoje, a China, e seus 302 milhões de potenciais consumidores bem próximos dos seus centros de distribuição.

Outra empresa proeminente é o Airbnb, uma empresa de aluguéis de hospedagem. Isso mesmo, ao invés de ir para um hotel ou pousada, você pode “alugar acomodações exclusivas de anfitriões locais em mais de 190 países”, como eles mesmos dizem eu seu site. O Airbnb já vale U$ 13 bilhões, e seu modelo de negócios une serviços digitais ao “mundo real”. Os imóveis alugados através de sua ferramenta são de pessoas normais, como eu e você, numa interação onde todos ganham. Os hóspedes se sentem mais à vontade em um ambiente mais familiar do que quartos de hotel, os proprietários dividem o valor das diárias com a empresa.

O segredo é não só adaptar-se ao momento atual, mas preparar-se para o futuro

Até empresas de outros ramos estão embarcando no mercado de tecnologia, devido ao seu potencial comercial. A McLaren acaba de divulgar que, agora, é uma empresa de tecnologia, e mudou até o seu nome: passou a se chamar McLaren Techonology Group e atua em nichos como o de softwares de análise de dados, apesar de manter a sua atividade principal como uma equipe de Formula 1.

É importante ressaltar que a tecnologia é apenas uma ferramenta, pois a verdadeira inovação está nos formatos de negócios, na interação entre as pessoas dentro e fora do digital, e na utilidade de aplicativos e ferramentas online. É preciso encarar o mundo atual com a criatividade e o dinamismo com que as coisas acontecem agora, assim como o Uber, que até o momento só cresce. E a realidade, para os velhos gigantes como a Petrobras, pode ficar ainda mais triste e negra, se não se adaptarem aos novos tempos.

Mas o futuro é imprevisível, e o que vemos são apenas cenas dos próximos capítulos. Como numa obra de George R. R. Martin, tudo pode acontecer. Quem você aposta que sobrevive para contar a história?